
Podia acordar-te agora para termos um momento idêntico ao que tivemos há uns tempos atrás...
Estou deitada e mal consigo abrir o olho esquerdo mas, ainda assim, consigo apreciar a luz enorme que transborda pela minha janela a dentro. Rapidamente prefiro não te acordar, deixar-te aí, nesse mundo onde já todos foram mas que na verdade ninguém sabe o que é nem onde se encontra; Então, permaneces assim. Nessa tua simplicidade tão própria que te torna demasiado completo numa complexidade tão simples. Porque, das coisas que mais gosto, é ver-te dormir ao meu lado, abraçado a mim e, por isso, observo-te de olhos fechados e a tua respiração lenta deixa-me o coração acelerado com batimentos que surgem pelo toque do teu corpo no meu.
Observo-te. E, ao pé de ti, a lua não é mais que um simples astro estudado e explorado por alguém. Quanto a mim, encontrei-te eu. E o que temos juntos ultrapassa qualquer outro desses fenómenos naturais.
E, como sei que até a dormir a sintonia se mantém, quero que fiques comigo mesmo que o luar deixe de entrar pela minha janela.
Assim como guardei a lua nas minhas mãos, guardo-te a ti. Para sempre.