
Íamos os dois dentro do nosso pequeno barco (Grande). Desengonçado e com uma enorme vontade de ficar parado a descansar ou mesmo para nos observar. Como íamos felizes. Com dificuldade, passávamos onda a onda e ouvíamos o que elas cantavam para nós. Só para nós. Que histórias, que sons... Batíamos palmas, chorávamos, riamo-nos, viviamos cada página do mar que ficava guardada na palma da nossa mão. Na marca da nossa vida. "A minha mão faz um M e a tua?" a nossa música que ecoava pelo fundo do mar. Estrelas, búzios, conchas, pedras, muitas pedras. "E é por isso que não te deixo cair, não quero nunca que te magoes".
Chegámos ao nosso porto. Ao nosso sítio. A um sítio só nosso.
Olhei para ti e tu para mim. Peguei numa pedra e escrevi para ti. Apaguei e tornei a escrever. e apaguei outra vez para voltar a escreve-lo. (Ele é tão especial) - pensava. Corrias para longe de mim, pois sabias que estaria sempre aqui de barços abertos para te voltar a receber. "Não me molhes..." (Ria-me)
Num momento inseguro as lágrimas molharam por completo os meus olhos. Não estava triste. (Estava tão feliz.) "Tenho medo namorado, tanto".
(Conheces-me mesmo bem)
Mostraste-me sítios onde eu nunca tinha ido, desconhecidos para mim mas tão conhecidos para ti. Sempre de mão dada com uma força superior a tudo e todos. Tinha medo de te largar. (Porque sou tão segura contigo).
Num momento próximo foste tu que deixaste que as lágrimas se apoderassem dos teus olhos. Estava lá para as fazer parar com o nosso abraço perfeito. (O que nos faz sentir como peças que encaixam perfeitamente uma na outra) :
-Promete-me.
-Prometo-te.
Deixámos lá o barco e fomos em busca dum lugar só nosso. Outro. O barco está lá. E sempre que quisermos ele leva-nos a fazer viagens maravilhosas como esta, como tantas outras que já fizemos. (E tantas que nos esperam) Para lá, longe do Mundo deles. No nosso Mundo. E a melodia das ondas vai sempre fazer-nos crescer. Sempre.
(O medo está-nos a tornar cada vez mais fortes!)












