
Ando a pisar o risco, mas nunca o ultrapasso. Derrapo-me sobre um fio ténue, onde há muito espaço à minha volta e as vontades, sozinhas, combinam-se e entram sem pedir licença. E eu, estúpida, decido-me a apenas! impor-me às fronteiras da boa educação e a limitar-me aos saberes da etiqueta, como manda a regra de qualquer um que se preze. Mas nunca demoro muito a cair em mim. A coreografia é inevitavelmente a mesma; sinto-me um maquinista louco, descarilando-me por uma série de carrinhos-de-mão em viagens trocadas. Até que a sequência dos actos acabam por ficar gravadas na raiz dos cabelos, na ponta dos dedos, no suor da pele. E aprendi da pior maneira que as minhas vontades fazem-se pagar caras, mas o que vale é que os actos ficam com quem os pratica.
Ando a pisar o risco, é verdade. Mas não faço a mínima ideia onde acaba a linha e ainda bem que também não quero saber.
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