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terça-feira, 17 de abril de 2007

pintaste-me-nos



Conseguia sentir-te atrás de mim com um nervoso esquisito e tão pouco próprio de ti. Esboçava sorrisos inesperados e repetinos

Tapaste-me os olhos e pediste-me uma imagem bonita que me viesse à cabeça. Via tudo a preto e branco. Estar ali, para mim, não estava a fazer qualquer sentido e não conseguia imaginar futuro entre as nossas gargalhadas e os infinitos silêncios. Tinhas deixado de fazer sentido e eu queria que voasses. Não para longe, mas não para tão perto de mim. Parecia que não te conseguia ver, porque não queria. Nem tão pouco abraçar-te, porque sabia que não ia sentir.

Pedi que saltasses para o outro lado. Para o lado das pessoas que não sentem. Para o lado direito. Onde não existem palavras bonitas nem gestos queridos e abraços melosos.

Foste. Durante meses perdeste-te por lá. Sentiste a minha falta.

Fez-te bem.

Querias-me de volta.

E hoje sentes, como nunca consegui sentir que sentias.

Então…escrevi na tua pele palavras ilegíveis. Palavras minhas que te dei. Só a ti.

Vinquei-as para que a marca fique lá. Durante muito tempo.

Tu…escreveste-me palavras soltas para que as montasse como um puzzle e disseste-me, a chorar, que eram as mais verdadeiras. (Tinhas mudado. Gostava de ti.)

Aos poucos, foste-me empurrando para um lugar bonito. Onde o vermelho é verde e o verde amarelo.

Levaste-me para lá e quase sem me aperceber, estávamos ali. Juntos. (Mais uma vez)

Era quase irreal e os inúmeros sorrisos soltavam-se ao som das tuas palhaçadas e do cheiro do teu Aqua Di Gio.

Já falavas outra vez de boca cheia e escrevias na areia os nossos nomes. (Tinhas mesmo voltado…)

Rebolei que nem uma lontra para o tapete da tua vida. É um ciclo vicioso onde acabo sempre por ter vontade de (não) sair.

6 comentários:

Anónimo disse...

Fiquei mesmo sem palavras ...

Sabes, os ciclos tem diversas fases, e ha uma que nos agrada sempre mais do que outra...
Talvez esta fase seja como agua quando se evapora e deixa o mundo como se nada fosse, mas ela volta e quando volta, ahh quando volta tudo é esquecido e sentimos apenas aquele momento da agua a tocar-nos...

Mas nao fiques a espera da proxima fase, ela acaba por chegar... Enquanto isso diverte-te com todas as outras coisas que a vida te oferece... Porque ela é tao curta e merece mesmo ser aproveitada à grande!

Vamos aproveita-la juntas? @

Mariana Carvalho disse...

e aproveito mesmo a grande. afinal, tenho momentos bem bonitos do lado esquerdo.
e gosto. pq é louco.

Anónimo disse...

n sei o que dizer! e' daquelas que diz tudo... infelizmente diz mesmo tudo! :(

Mariana Carvalho disse...

não é infelizmente. é feliz. feliz e felizmente. :D

Anónimo disse...

Avançamos pela rua. Não somos vários, somos provavelmente um só, mas aparentamos conter em nós uma multidão indefinida. Estamos afastados pelos satélites, pelas marcas das roupas, pelos bilhetes de identidade, pela burocracia, pela língua que falamos, pelas línguas que beijamos, pela cor dos olhos que nunca nunca é sempre a mesma, pelos objetivos ou pela falta deles, pela qualidade da parede das nossas casas, pela vida que levamos e que nos trouxe à porta de um carro ou à um par de sapatos para uma longa caminhada. Que já percebemos ao descer a rua, pois estamos perto, bem perto da margem. Quase a chegar, quase a ancorar numa margem de vida onde talvez um dia nos voltemos a ver, talvez não e por isso não quero perder a oportunidade de dizer o quanto és importante para min, que te quero abraçar outra e outra vez num momento eterno que eu todas as nossas diferenças se tornam na multidão que somos juntas.

Mariana Carvalho disse...

e as nossas diferenças tornam-se tão iguais. obrigada pela luta que tens tido comigo todos os dias. o abraço está sempre aqui. os braços estão sempre abertos. não te esqueças.

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