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quinta-feira, 6 de março de 2008

Malditos

Tenho medo da caixa que escondi debaixo da cama, a caixa onde guardei sonhos, perdi pedaçinhos de amor e desejo, enfiei tralha que pensei ter valor e que afinal não tinha senão vacúolos de insignificância, arrastei pedaços de nada e fechei tudo numa gaveta à chave que ficou mal fechada e que pede a ajuda trémula, típica das coisas que se estão prestes a quebrar. Tenho medo dos meus fantasmas, esses malditos, que não se quebram, não cabem em caixas e não se enchem de pó. Tenho medo dos meus medos, porque não consigo dormir; a caixa faz barulho e a almofada não pára de se queixar, tem lágrimas nos olhos e dor no coração. Ou será ao contrário?

2 comentários:

Anónimo disse...

os medos são SENTIMENTOS que nos fazem recuar sem, por vezes, dizermos ou fazermos aquilo que deviamos. E, por vezes, podemos até perder tudo o que mais gostamos nesta vida. Se há coisa que eu quero que não aconteça é que esse medo venha a existir entre nós!

cates*

Mariana Carvalho disse...

Para quê ter medo dos nosso próprios medos? A força que possuis é capaz de deixar o medo com medo. Talvez nem o homem mais forte do mundo deixe de ter medos.. mas encaro-os como um género de pedras que vou encontrando no meu caminho. Sinto os bolsos pesados de tantas que já encontrei e as calças rompem-se para dar lugar às tantas que ainda chegarão. Mas são minhas. Pertencem-me e fazem me crescer mais um bocadinho.
Tem medo. E torna-te ainda maior do que és e do que vês.

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