
E era sempre quando subia a rampa a correr, cheia de laçarotes que me percorriam todo o corpo e a alma pequenina repleta de uma ingenuidade infantil, que o via. Sentado naquela sua cadeira de eleição, de ferro pintada a branco e com a almofada verde no assento, que ainda é, a trabalhar sempre em qualquer coisa ou simplesmente a descansar da longa caminhada que não se cansava de fazer todos os dias (maldita!).
Foi assim, durante quase 14 anos que, alegremente corria para os seus braços e gritava "AVÔ, cheguei!" e me respondia sempre da forma mais calorosa de que era capaz: com inúmeros beijinhos em cada face da minha cara e com a tão conhecida resposta "Que bom, neta!"; Mais difícil que não me lembrar, é esquecer... De como ficava amuado quando, mesmo sem querer, fazia "asneira". Qual era o mal de entornar um copo de vinho na toalha da avó? A verdade é que, desde muito nova, me fez notar que era possuídor de uma perfeição perfeita em que nada poderia ser feito de forma incorrecta, em que os outros eram sempre os mais importantes e o que vinha para si podia ser sempre a coisa "mais reles" à face da Terra;
Realmente, são mesmo as pequenas coisas que nos tornam grandes e, é por isso, que o avô é a melhor pessoa que conheço. Porque, desde o deixar as boinas no cabide por ordem de utilidade até à organização do vinho na garrafeira e a hora que dedicava à sesta, é especial. E será sempre...
É estranho mas, ainda o sinto quando acendo a luz do lagar para ir lá acima aos tios e passo pelo seu "refúgio". Parece que, às vezes, quando olho lá para dentro, ainda o vejo atarefado a arrumar tudo o que para mim nunca estava desarrumado mas ao que o avô não se cansava de dedicar o seu tempo. Nessas alturas, o nó dá-se na garganta, os arrepios são múltiplos e as mãos ficam húmidas assim como os olhos. E o coração... esse está cheio de memórias preenchidas pelos chocolates que me dava antes do lanche, sem a avó saber. Mas, a verdade é que não está lá...e aí, a saudade permanece e faz esboçar inúmeros sorrisos que me consomem dos pés à cabeça; Quando vou para o largo e passo pelo banco, é impossível reter o olhar para o lado esquerdo visto que as suas tardes eram ali e quando lá passava, chamava-me sempre para lhe ir dar um beijinho. Também já alguns dos seus amigos abandonaram aquele local e até se calhar estão hoje aí, nesse sítio, todos reunidos a festejar, consigo, com água pé e com longos jogos de cartas. Porque hoje está de parabéns. E estará para o resto da minha vida assim como o orgulho de, entre tantas outras coisas, me ter ensinado a jogar à bisca.
3 comentários:
Tão simples e tão profundo. Tão verdadeiro e tão marcante.
Uma pequena lágrima no canto do olho escorreu-me pelo meu rosto risonho. Uma tristeza alegre. Que nos preenche da forma não que desejaríamos, mas da forma que tem de ser. Não estão connosco em pessoa mas estão em alma e no nosso coração. Não os sentimos mas eles tocam-nos. Não os vemos mas eles seguem-nos, em cada passo, como anjos da guarda que nos protegem (o teu super-homem (: ), hoje e sempre.
São aquela força que nos faz dar um passo em frente, aquele apoio que não nos permite cair no chão, aquela gargalhada que nos faz sorrir. E só quem sente o que eu e tu sentimos é que tem o dom de entrar neste mundo e de ver o quão eles são (sim, porque eles acompanhar-nos-ão para sempre)importates e fundamentais nas nossas vidas.
Recordar com saudades, amor, carinho e, acima de tudo, um sorriso esboçado nas nossas caras. Porque sempre foi isto que eles nos ensinaram, não foi? Sempre foi isto que lhes encantou: um sorriso eterno na cara de uma criança feliz. Para sempre *
E é por isso que repito tantas vezes que tenho e gosto de ter o poder de continuar a ser sempre criança, para o resto da minha vida. Guarda. Porque é precioso* Obrigada!
bonito :)
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