
Não sei se gostar de ti é uma contra-ordenação leve, grave ou muito grave. Não sei em quantas mudanças de direcção me perdes, quantos riscos contínuos me transpões ou quantos sinais vermelhos me ultrapassas. Não sei se sorrateiramente me decoras pelo retrovisor, observando-me os gestos e descortinando-me as falas, ou se faço apenas parte do teu ângulo morto, para o qual não prestas a mínima atenção. Não sei inverter-te o sentido e quanto mais te afastas, mais me avario e desvario. Não sei acelerar-te o quereres-me (mesmo sem saberes), e depois também não sei encadear-te com os máximos sem parecer que foi de propósito (para que o saibas). Não sei adivinhar-te de um embate inevitável que antecipo no alcatrão antes de entregar o volante nas mãos escorregadias do destino, digo eu, ou da sorte, dizes tu. Não sei sequer conduzir-te de forma a encaixar a mudança correcta, o pisca certo, a velocidade controlada, a distância de segurança; Há sempre um piloto automático que me guia levando-me a lado nenhum, mas que me mexe os braços e as pernas, me articula os sons e as palavras e me forma os sorrisos na cara, para que até mesmo tu não percebas que é verdade que não sei, que não faço ideia. Mas sei é que gosto de descobrir-te pela estrada fora, então para mais com essa coisa de não teres sinais proibidos e de seres sempre assim todo em todas as direcções...
.
Sem comentários:
Enviar um comentário