
Qualquer dia atrevo-me a dizê-lo. Grito-te da janela do carro, por entre buzinas estridentes e os assobios suaves do vento, irrequieto e metediço. Agarro-me à vontade de te furar os tímpanos e dou-te música, uma diferente da que tenho vindo a largar-te à porta dos ouvidos. Levo-me em descrições alongadas, perco-me na razão do como e do quando, sem nunca chegar a lado nenhum. Desfaço-me do nó na garganta, da luta contra as paredes do estômago que, ai, dão cabo de mim. Não!, sussurro-te levemente, como quem não quer a coisa, numa língua estrangeira, para que não percebas logo à primeira, pode fazer-te confusão e sempre arranjo tempo para disfarçar. Pensei até em escrevê-lo; Umas vírgulas, um ponto final e nada de exclamações, que dá muito nas vistas. Despacho-me nuns rabiscos, num rascunho com muitos gatafunhos. Subentendo-te o sujeito, sem complementos nem predicados. O mínimo indispensável: Gosto.Muito.De.Ti. (Foda-se!) Ou então talvez sob a forma de uma cláusula, uma nota de rodapé, vá, quanto muito umas analogias simples com elementos homogéneos, aligeirando assim o peso lexical que carrego e que disfarça o facto de tremer o teu suspiro, os teus olhos que vagueiam por cima das coisas à procura do tempo em que voltava atrás e não me atrevia a fazê-lo. (Olha, foda-se!)
1 comentário:
Foda-se ..
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